As modelos negras na história da moda

A texana Dorothea Towles Church é considerada a primeira modelo negra das passarelas de Paris.
Sétima filha de uma família de agricultores americanos, ela se formou em Biologia antes de se mudar para Los Angeles. Lá, fez mestrado em Educação na Universidade do Sul da Califórnia.
Queria ser atriz, mas foi desencorajada pela falta de papeis para atores negros na década de 40. Então, se matriculou numa escola de modelos (foi a primeira negra do curso) e começou a modelar em eventos para negros na Costa Oeste.
Em 1949, quando o coral que sua irmã cantava viajou em turnê para Paris, Dorothea a acompanhou. Lá, começou a trabalhar como modelo e logo chamou a atenção de Christian Dior, que a chamou para substituir uma das modelos contratadas, que saiu de férias.
Durante cinco anos, ela foi tratada como estrela nas passarelas francesas, se tornando umas das principais modelos da década de 1950 e posando em abril de 1953 para a capa da revista negra JET. Anos depois, a pedido de Dior, pintou seu cabelo de loiro e foi capa da revista Sepia.
Apesar do sucesso, passou por situações desagradáveis. Quando foi convidada a estrelar a capa da revista Ebony – sucesso da época –  o estilista Pierre Balmain não permitiu que ela usasse uma de suas criações, alegando que as clientes brancas ficariam ofendidas. Aí… Com o pretexto que usaria a mesma roupa numa festa, Dorothea pegou o vestido e foi para o estúdio fotografar… (hehehe)!
Quando trabalhava no ateliê da estilista Elsa Schiaparelli, frequentemente ouvia alguém a descrever como “Taitiana”, ou seja, como ‘exótica’ e não negra!
Apesar disto, ela persistiu. Neste período, começou a desenhar seus próprios vestidos, a partir de tecidos que ganhava dos estilistas que trabalhava.
Quando voltou para os EUA, em 1955, produziu desfiles para cursos frequentados para negros. Estes eventos funcionaram para angariar fundos para a criação da primeira irmandade de mulheres negras em universidades americanas: Alpha Kappa Alpha.
Mais tarde, Dorothea assinou contrato com uma agência de Nova York, onde modelou até conhecer o advogado Thomas Church. Ela abandonou a carreira e se casaram em 1963. Tiveram um filho e permaneceram casados até a morte do marido em 2000.
Dorothea morreu seis depois, aos 83 anos, em Nova York, por problemas cardíacos e nos rins.
The Luna Year
Donyale Luna foi a primeira modelo negra na capa de uma grande publicação americana. Era a edição de janeiro de 1965 da Harper’s Bazaar
Um ano depois, ela estaria na capa da edição de março da Vogue Britânica. De acordo com o jornal The New York Times, Donyale tinha um contrato de exclusividade com o fotógrafo Richard Avedon.
Num artigo publicado pela revista Time (que em 1954 colocou a primeira negra numa capa, a atriz Dorothy Dandridge) em 01 de abril de 1966 com o título “The Luna Year”, deixava bem claro o sucesso que a moça fazia. No ano seguinte, o fabricante de manequins de loja, Adel Rootstein, criou um modelo feito a imagem de Donyale.
Paralela a carreira de modelo, Donayle se tornou atriz, participando de alguns filmes de Andy Warhool, Federico Fellini, Otto Preminger e em 1972 protagonizou “Salome”, dirigido pelo italiano Carmelo Bene.
Contudo, sua carreira terminou sete anos depois quando, aos 34 anos, Donayle morre de overdose.
Supermodel
Depois de se formar psicóloga pela New York University, a também americana Naomi Sims bateu na porta de várias agências de modelo. Só recebeu negativas, com a justificativa que “sua pele era muito escura”.
Até que o fotógrafo Gosta Peterson decidiu coloca-la na capa do Fashion of the Times, suplemento de moda do jornal The New York Times, de 1967. Mesmo assim, sua carreira não decolava. Só que… Ela conheceu Wilhelmina Cooper, uma ex-modelo que acabara de abrir uma agência. Wilhelmina mandou cópias da capa da Fashion of the Times para diversas agências de publicidade. Deu resultado: Naomi estrelou a campanha nacional da empresa de telefonia AT&T (usando roupas do estilista Bill Blass). Um ano depois, seu cachê era U$ 1.000 por semana.
Ela pode ser considerada a primeira supermodel negra na história da moda, aparecendo em outras diversas publicações de moda e outras de apelo mais popular.
Em Novembro de 1968, apareceu na capa da revista Ladies’ Home Journal e ainda ganhou artigo no The New York Times afirmando que ela era o melhor retrato do movimento “Black is Beautiful”.
No ano seguinte, foi a capa de outubro da Life - a mais famosa publicação da época, que declarava que Naomi era a modelo do ano.
Em 1972, Hollywood a convidou para estrelar “Cleopatra Jones”. Ela se empolgou. Contudo, depois de ler o roteiro, ela se negou, afirmando que o filme era racista.
Em 1976, ela lançou uma linha de perucas para as mulheres negras, a Naomi Sims Collection. O sucesso resultou na abertura de uma bem-sucedida empresa.
Além das perucas, criou produtos para pele, cabelos e maquiagem para negras, que são vendidos com sucesso até hoje.
Naomi morreu de câncer no seio em agosto do ano passado. Ela estava com 61 anos.
Vogue
Em 1974, quando completou 82 anos, a Vogue America fez história ao colocar Beverly Johnson na capa. Um ano depois, Beverly estaria na primeira capa negra da Elle America.
Logo, o
rosto de Beverly esteve em quase 500 outras capas de revista.
Depois disto, a partir disto, cada grande estilista americano colocou uma modelo negra no seu casting.
Em seguida, Beverly começou uma carreira de atriz da TV, participando de diversas séries, como “Law & Order” e ”Lois & Clark: The New Adventures of Superman”. Recentemente, ela esteve por duas temporadas no reality series “She’s Got The Look”, onde 36 mulheres acima dos 35 anos competem pelo título de Supermodel “acima dos 35″.
Como sua colega, Naomi, Beverly também lançou uma bem-sucedida linha de perucas, chamada Beverly Johnson Hair Collection.
Na vida pessoal, Beverly namorou o ator Chris Noth, o mítico Mr. Big, de “Sex And The City”.
Em 2006, ao lado de Tina Turner, Coretta Scott King e Rosa Parks, Beverly foi uma das premiadas no “Oprah Winfrey’s Legends Ball” – evento que celebrava as mulheres negras que se destacaram no campo do entretenimento, direitos civis e artes.
O jornal The New York Times a nomeou como uma das mais influentes pessoas da moda no século XX.
Maquiagem
Freqüentemente, o nome de Veronica Webb é mais associado ao fato de ser a primeira modelo negra a assinar um contrato exclusivo a poderosa marca de maquiagem, Revlon. Mas ela fez muito mais. Foi modelo, atriz e jornalista.
Nas passarelas, desfilou para Chanel, Azzedine Alaia, Isaac Mizrahi, Todd Oldham e Victoria’s Secret.
Foi capa da Vogue, Essence e Elle e por cinco anos, foi colunista da revista Paper. Também escreveu para a Details, Esquire, The London Sunday Times e The New York Times Syndicate.
Como atriz, participou dos dois mais importantes filmes do cineasta Spike Lee “Malcom X” e “Febre na Selva”.
Na TV, ela apresentou programas na MTV, VH1, E! Entertainment, Fashion TV e Fox Entertainment, além correspondente para a HBO News, ”Good Morning America” e da BBC.
Rock
Fechando com chave de ouro o reinado das primeiras modelos negras da história da moda: Iman.
Seu primeiro contrato como modelo foi na Vogue, em 1976. Em seguida, apareceu em diversas publicações mundiais, estrelou campanhas para Gianni Versace, Calvin Klein, Donna Karan e Yves Saint Laurent e se tornou um dos nomes mais importantes da moda da década de 80.
Nos 14 anos como modelo, Iman trabalhou com os principais fotógrafos de moda, como Helmut Newton, Richard Avedon, Irving Penn e Annie Leibovitz.
Quando se casou com o roqueiro inglês, David Bowie, em 1987, lentamente começou a se afastar das passarelas para se dedicar a família. 
Tentou a carreira como atriz de TV (apareceu na série cult da década de 80 “Miami Vice) e no cinema (“Sem Saída”, ao lado de Kevin Costner e “Entre Dois Amores”, ao lado de Meryl Streep e Robert Redford), mas não decolou.
Em 1994, ela lançou uma linha de maquiagem, produtos de pele e perfumes, a Iman Cosmetics.
Dez anos depois, a empresa foi incorporada a Proctor And Gamble e Iman se manteve como diretora executiva.
Atualmente, além do belíssimo casamento de 24 anos, Iman é embaixadora oficial do projeto “Mantenha uma Criança Viva”, que distribui medicamentos para crianças portadoras do HIV/AIDS na África e Índia.
Supermodels
Estas moças foram as precursoras de uma carreira muito difícil, com direito a negativas, situações constrangedoras de puro racismo, mas, por talento, persistência e muita sorte, sobreviveram e abriram as portas para estrelas como Naomi Campbell (sem dúvida alguma, a modelo negra mais famosa das últimas décadas), Tyra Banks, Liya Kebebe, Alek Wek, Chanel Iman, Joan Smalls e outras, que dão as cartas até hoje. 
Brasil
Emanuela de Paula se tornou a primeira modelo negra a sair na capa da Vogue Brasil, em janeiro de 2011. Digamos que foi a quebra de um paradigma em 35 anos de Vogue no país.
Atualmente, ao lado de Emanuela, fazem sucesso Gracie Carvalho, Laís Ribeiro, Samira Carvalho, Rojane Fradique, Carmelita Mendes e Ana Bela. Antes delas, dois nomes se destacaram neste cenário: Luana de Noialles e Veluma.
Luana
Na década de 70 e 80, o nome da baiana Luana de Noialles se destacou no cenário nacional e internacional.
Nascida Raimunda Nonata do Sacramento, Luana foi descoberta aos 16 anos e trabalhou para a indústria têxtil Rhodia, para quem desfilou para a Fenit. Mais tarde, na década de 70, por incentivo do estilista Paco Rabanne, embarca para Itália e França, onde posteriormente trabalha na agência de Catherine Harley.
A partir daí, desfilou para para Yves Saint Laurent e Christian Dior e seu nome virou motivo de orgulho para o país.
Em 29 de outubro de 1977, Luana casou-se com o conde francês Gilles de Noailles, tornando-se a Condessa de Noailles. Com o casamento, abandona as passarelas.
Em 1982, sua história chamou a atenção de Joãosinho Trinta, ao escalar os nomes dos homenageados para o enredo “A grande constelação das estrelas negras”, que rendeu o título para a Beija-Flor em 1983.
Atualmente, Luana vive em Paris.
Veluma
Nos anos 80 e começo de 90, ao lado de Luiza Brunet, Monique Evans, Vicki Schineider e Lívia Mund, Veluma foi uma das mais badaladas modelos brasileiras, fazendo sucesso aqui e no mercado internacional.
Nascida em 13 de julho de 1953 no interior de São Paulo, Vera Lúcia Maria começou a desfilar aos 17 anos. Virou atriz e participou da montagem teatral de ‘O homem e o cavalo’, de Oswald de Andrade (1991). No cinema atuou em ‘Testamento do Senhor Nepomuceno’, ao lado de Nelson Xavier e na televisão, atuou em novelas da Rede Globo como a primeira versão de ‘Ti-ti-ti’, em 1985. Depois apareceu em ‘Gente Fina (1990)’ e ‘Caras e Bocas (2009)’. Atualmente, ela criou um curso de modelos.

10 Comentários

  1. Karine,
    Um dos lemas do MONDO MODA é questionar padrões pré-estabelecidos! Todos!
    E, particularmente, falar de minorias, é um ponto muito importante!
    Obrigado pela mensagem.
    Abs

  2. Karine Saldanha do Aamaral

     /  01/10/2010

    É MUITO IMPORTANTE RESSALTAR A REAL BELEZA DA MULHER NEGRA SEJA AMERICA OU BRASILEIRA É UM PRESTIGIO,SOU NEGRA E VEJO QUE A BELEZA DA NEGRA SEMPRE ESTA BEM ESCONDIDA EM FUNÇÃO DE MUITO PRE-CONCEITO E PRECONCEITO.MAIS TENHA PARA DIZER QUE NO BRASIL O PRECONCEITO É BEM MAIOR SENDO ELA BONITA LINDA NÓS NÃO TEMOS VEZ AQUI NO BRASIL QUE PENA .EU PARTICULARMENTE GOSTEI MUITO DESTA REPORTAGEM MUITO BOM MESMO RESALTAR ESSA BLEZA QUE ESTA SEMPRE POR TRÁZ DAS CÂMERAS .

  3. devaria existirmais modelos negras.elas sao exoticas

  4. monica

     /  02/06/2010

    adorei esta materia, estas negras são muito bonitas …
    by monica

  5. Adorei a matéria e tb o novo layout do site!Parabéns!

  6. eliene

     /  17/05/2010

    boa tarde…amei esta matéria de negras lindas…

    adoraria ser uma delas…..

  7. Pâmela Abreu

     /  04/05/2010

    Ola Jorge, na Feijuka do Banco de Olhos nos encontrei…e como vc recomendou, estou aqui acompanhando tudo. Parabéns pela materia sobre as Divas Negras, adorei!!! Grande Beijo! Pâmela Abreu

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